{"id":98,"date":"2026-05-04T12:38:12","date_gmt":"2026-05-04T15:38:12","guid":{"rendered":"https:\/\/cantosdorosario.com.br\/?p=98"},"modified":"2026-07-15T15:40:42","modified_gmt":"2026-07-15T18:40:42","slug":"festa1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cantosdorosario.com.br\/index.php\/2026\/05\/04\/festa1\/","title":{"rendered":"FESTA DE N. S. PIEDADE E DE SANTO ANT\u00d4NIO \u2013 BAIRRO TABO\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Popularmente conhecida como <strong>\u201cFesta do Tabo\u00e3o\u201d, <\/strong>a celebra\u00e7\u00e3o em devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora da Piedade e a Santo Ant\u00f4nio, realizada no m\u00eas de agosto, configura-se como uma das manifesta\u00e7\u00f5es religiosas populares mais tradicionais de Ros\u00e1rio Oeste. Enraizada na mem\u00f3ria coletiva do bairro, a festividade articula f\u00e9, sociabilidade e pertencimento, consolidando-se como refer\u00eancia simb\u00f3lica no calend\u00e1rio das \u201cfestas de santos\u201d rosarienses. A festa de Nossa Senhora da Piedade configura-se como continuidade de uma pr\u00e1tica votiva originalmente vinculada \u00e0 Senhora Em\u00edlia Maria Santana, no distrito de Coxip\u00f3 do Ouro, subdivis\u00e3o administrativa do munic\u00edpio de Cuiab\u00e1.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Festa do Tabo\u00e3o | A tradi\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora da Piedade e Santo Ant\u00f4nio em Ros\u00e1rio Oeste\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_olHKt4N0QY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Leia mais<\/summary>\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">No m\u00eas de agosto de 1957, a imagem da santa foi entregue a seus filhos, acompanhada do pedido de manter a perman\u00eancia e a realiza\u00e7\u00e3o anual da celebra\u00e7\u00e3o. Esse gesto n\u00e3o representou apenas a transmiss\u00e3o de um objeto sacro, mas configurou a delega\u00e7\u00e3o de uma responsabilidade simb\u00f3lica e religiosa, por meio da qual a devo\u00e7\u00e3o foi preservada e territorialmente (re)inscrita, durante muitos anos, na Fazenda Cassange, localizada no Distrito de Bauxi, subdivis\u00e3o administrativa do munic\u00edpio de Ros\u00e1rio Oeste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse per\u00edodo, sua filha, D. Margarida Maria Ferreira, juntamente com seu irm\u00e3o, Ant\u00f4nio Ferreira, j\u00e1 promovia, na Fazenda Cassange, a festa em devo\u00e7\u00e3o a Santo Ant\u00f4nio, que, no catolicismo popular \u00e9 amplamente reconhecido como \u201ccasamenteiro\u201d e como protetor da fam\u00edlia. A realiza\u00e7\u00e3o desta celebra\u00e7\u00e3o articulou-se ao compromisso assumido e a responsabilidade de continuidade da devo\u00e7\u00e3o \u00e0 N.S. da Piedade, sendo festejada anualmente no m\u00eas de agosto e Santo Ant\u00f4nio no m\u00eas de junho. Essa din\u00e2mica de articula\u00e7\u00e3o devocional a diferentes santos constitui uma pr\u00e1tica caracter\u00edstica do catolicismo popular, configurando-se assim, em uma rede complementar de prote\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, na medida que cada santo \u00e9 reconhecido pelos fi\u00e9is como portador de atribui\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de intercess\u00e3o e amparo espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Das festas realizadas na Fazenda Cassange, D. Gon\u00e7alina, que tinha cerca de nove anos quando se mudou para \u201ca cidade\u201d, guarda poucas lembran\u00e7as. Os fragmentos que permanecem em sua mem\u00f3ria evocam, sobretudo, a forte devo\u00e7\u00e3o e f\u00e9 que orientava a realiza\u00e7\u00e3o da festa. Entre essas recorda\u00e7\u00f5es, destacam-se os momentos coletivos em que os participantes se reuniam para socar o milho, utilizado no preparo dos biscoitos, bem como os bailes que animam a celebra\u00e7\u00e3o, conduzidos pela Banda musical do Sr. Isaque (<em>in memoriam<\/em>), reconhecido m\u00fasico da cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a de D. Margarida da Fazenda Cassange, no ano de 1975, para o ent\u00e3o Bairro Tabo\u00e3o, atualmente denominado N.S. da Piedade, situado na periferia urbana de Ros\u00e1rio Oeste, n\u00e3o significou a interrup\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica festiva devocional, mas sua (re)territorializa\u00e7\u00e3o em um novo contexto socioespacial. Ao migrar para a cidade, a fam\u00edlia n\u00e3o carrega nos seus corpos apenas sonhos e expectativas de uma vida melhor, mas tamb\u00e9m modos de viver, de ser, de habitar e de se relacionar com o divino: seu santo de devo\u00e7\u00e3o, seu nicho dom\u00e9stico e sua festa. Assim, reconfigurando a espacialidade do sagrado, antes ancorada no espa\u00e7o festivo dom\u00e9stico-rural, passou a acontecer no dom\u00e9stico-rururbano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Entretanto, a realidade do bairro, no que se refere \u00e0 infraestrutura urbana e moradia, pouco se distinguia do contexto rural anteriormente vivido: havia precariedade nas vias de acesso, aus\u00eancia de arruamento regular, inexist\u00eancia de luz el\u00e9trica e abastecimento de \u00e1gua encanada. As habita\u00e7\u00f5es eram constru\u00eddas em pau a pique, e a pr\u00f3pria capela de Nossa Senhora da Piedade, inicialmente erguida em 1958 com cobertura de palha, foi posteriormente reconstru\u00edda, em regime de mutir\u00e3o, tamb\u00e9m nesse padr\u00e3o construtivo.(Celestino et al, 2025)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio \u00e0 precariedade urbana, a territorialidade que se configurou no bairro, marcada pela proximidade espacial e pela conviv\u00eancia cotidiana, favoreceu a forma\u00e7\u00e3o e a (re)produ\u00e7\u00e3o de redes de solidariedade e coopera\u00e7\u00e3o. Essas rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a formada pelos familiares de D. Margarida e amigos, criaram as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que a pr\u00e1tica festiva continuasse a (re)existir no espa\u00e7o dom\u00e9stico-rururbano, contando com a participa\u00e7\u00e3o ativa da comunidade local. Nesse sentido, o bairro n\u00e3o se reduz a um simples aglomerado populacional ou a uma unidade administrativa, mas configura-se como lugar vivido, tecido pelas experi\u00eancias cotidianas, pelos v\u00ednculos afetivos e sentimento de pertencimento e devo\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a morte de seu esposo e em raz\u00e3o da idade avan\u00e7ada, Dona Margarida transferiu as imagens sacras \u00e0 sua filha, Gon\u00e7alina da Silva, e ao seu esposo, Jos\u00e9 Albano da Silva, incumbindo-os da responsabilidade de dar continuidade \u00e0 festividade, renovando o compromisso devocional e assegurando a perman\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A amplia\u00e7\u00e3o da escala da festa implicou um processo de comunitariza\u00e7\u00e3o, expresso tanto nas intera\u00e7\u00f5es sociais inicialmente estabelecidas entre a fam\u00edlia promesseira e os moradores do bairro quanto na participa\u00e7\u00e3o de irmandades e devotos, que passam a assumir diferentes tarefas na realiza\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o. Tal processo evidencia a transi\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1tica de car\u00e1ter familiar para uma manifesta\u00e7\u00e3o coletiva, ancorada em redes de sociabilidade e coopera\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, o significado de fam\u00edlia amplia-se para al\u00e9m dos la\u00e7os consangu\u00edneos, passando a adquirir o sentido de um parentesco simb\u00f3lico, como os pr\u00f3prios colaboradores da festa se autodenominam: \u201cFam\u00edlia Tabo\u00e3o\u201d. Essa redefini\u00e7\u00e3o revela a constitui\u00e7\u00e3o de uma comunidade de pertencimento, na qual a f\u00e9 e a devo\u00e7\u00e3o aos santos festejados articulam-se \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos sociais, identit\u00e1rios e territoriais, configurando o que pode ser compreendido como uma territorialidade simb\u00f3lica, sustentada por pr\u00e1ticas culturais compartilhadas e pela mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o ativa da comunidade no processo de organiza\u00e7\u00e3o da festa, iniciada meses antes de sua realiza\u00e7\u00e3o, refor\u00e7a essa dimens\u00e3o coletiva e territorializada. As atividades envolvem desde a coleta de donativos at\u00e9 a limpeza do espa\u00e7o que receber\u00e1 os visitantes, al\u00e9m do preparo do licor e dos materiais utilizados na decora\u00e7\u00e3o do ambiente, evidenciando uma divis\u00e3o social do trabalho orientada por valores de solidariedade e reciprocidade. Uma experi\u00eancia singular observada no cotidiano desse dispositivo cultural, \u00e9 que ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do biscoito para festa, a participante pode levar seu pr\u00f3prio ingrediente para a produ\u00e7\u00e3o, garantindo, em contrapartida, uma parcela do produto aos participantes que colaboraram no feitio, ou seja, do qual o trabalho n\u00e3o remunerado \u00e9 recompensado simbolicamente pelo reconhecimento social em participar do ato de fazer a iguaria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A programa\u00e7\u00e3o festiva tem in\u00edcio com a alvorada e a queima de fogos, que anunciam o dia de celebra\u00e7\u00e3o dos santos de devo\u00e7\u00e3o da comunidade, marcando simbolicamente o tempo festivo. Falar sobre a bandeira esmoleira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Mant\u00e9m-se, nesse contexto, a tradi\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o gratuita de refei\u00e7\u00f5es, pr\u00e1tica que refor\u00e7a os la\u00e7os comunit\u00e1rios e a hospitalidade local. A celebra\u00e7\u00e3o inclui, ainda, o ritual do levantamento do mastro, a ladainha e, por fim, o matin\u00ea realizado no domingo, compondo um conjunto de pr\u00e1ticas que articulam religiosidade, cultura e sociabilidade, ao mesmo tempo em que reafirmam a identidade territorial e a continuidade da tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Popularmente conhecida como \u201cFesta do Tabo\u00e3o\u201d, a celebra\u00e7\u00e3o em devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora da Piedade e a Santo Ant\u00f4nio, realizada no m\u00eas de agosto, configura-se como uma das manifesta\u00e7\u00f5es religiosas populares mais tradicionais de Ros\u00e1rio Oeste. 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