O levantamento do mastro marca o início da festividade e constitui um dos principais ritos das festas populares religiosas. A presença do mastro, com a coroa e o quadro do(a) santo(a), representa um marco simbólico e identitário da celebração, demarcando, temporariamente, o espaço da devoção. O levante do mastro possibilita que identidades coletivas reafirmem, o fortalecimento de laços comunitários e a continuidade das tradições religiosas transmitidas por gerações. Nesse ritual, os cururueiros desempenham papel central na celebração, que marca a abertura da festividade, conduzindo e dando direcionamento à celebração desde o seu início, com a louvação ao(à) santo(a) ou aos(às) santos(as) do altar e a subida do mastro do santo ao qual a festa é dedicada, até o seu encerramento, com a descida do mastro.










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LOUVAÇÃO AO(A) SANTO(A) OU SANTOS(AS) DO ALTAR
No início da festa, após ter afinado o som da viola e formando um semicírculo em frente ao altar para cantar uma carreira de louvação e trovas que marcam o início da celebração. O cururueiro mais velho, ou o primeiro que se encontra do lado direito da fila inicia a função cantando uma toada louvando o(a) santo(a) ou santos(as) do altar, do qual cada cururueiro entoa uma trova saudando o dono da casa, os festeiros e demais presentes. Essa prática é acompanhada pelo pedido de licença para brincar (realizar a roda de cururu), assim como, em gesto de reverência ao santo e/ou santa, os cururueiros tiram o chapéu, ajoelham e beijam a imagem e ou bandeira que se encontra junto ao altar.
Para iniciar a roda, as trovas são puxadas pela primeira voz e completadas pela segunda, em intervalos musicais de terça. São cantadas três ou quatro trovas, logo seguidas do baixão, que finaliza cada uma dessas sessões de cantoria de um determinado cururueiro. As trovas são criadas pelos próprios cururueiros e giram em torno de temas como amor, a natureza, o cotidiano, o país e a vida dos santos. Além desses temas entoam também trovas compostas pelos pais e avós como forma de mantê-las vivas nas memórias da comunidade. Terminado a saudação, os cururueiros, que agora podem ser chamados de”folgado”, cantam para rodear (folgar em círculo) até o momento de subir o mastro. (Cuiabá, 2006)
Durante a cantoria não pode faltar o “ vinho de jatobá” ou o amargo preparado à base de cachaça com raízes e cascas de plantas medicinais, como o raiz-de-bugre, fedegozo, algodãozinho, nó-de cachorro, imburana, dentre outros.
LEVANTAMENTO DO MASTRO DO SANTO(A)
O ato de levantamento do mastro, sob a coordenação do cururueiro, constitui o ritual religioso central na festa. Mediante trovas tradicionais e/ou de sua autoria, o cururueiro convida cada festeiro que representa o reinado da festa para compor o cortejo. Cada um dos personagens do reinado que compõem o cortejo, carrega um objeto em particular: o rei rainha da festa carregam a imagem do santo celebrado na festa, o capitão do mastro a coroa (cruzeiro), o alferes a bandeira (quadro com a imagem do(a) santo(a) e os juízes e ou devotos levam os outros santos e/ou insígnias presentes no altar, assim como empunham velas acesas. Essas obrigações, imagens, insígnias e objetos sagrados variam dependendo do santo homenageado
Formada a procissão, um cururueiro por meio do verso, pede licença ao dono da casa ou ao promesseiro para sair com a procissão e o cortejo segue em direção ao varão, nome atribuído ao mastro enquanto ainda não possui a bandeira e a coroa. Os fiéis acompanham a procissão com velas acesas nas mãos e que, posteriormente, são deixadas aos pés dos mastros.
No varão o alferes prende a bandeira, que deverá estar voltada para a nascente, o capitão, a coroa ou o cruzeiro. Normalmente, a “catacumba de Adão”, buraco onde será enterrado o mastro, é realizada com antecedência ao momento da celebração. Antes de erguer o mastro, os cururueiros e fiéis beijam a bandeira e o cururueiro vai ordenando: balançar o mastro, levantar o mastro, colocar terra no pé do mastro e acender velas no pé do mastro.
Após erguido o mastro e iluminado, o cururueiro manda a procissão dar três voltas ao redor do mastro. Em seguida, param e cantam, despedindo do mastro e depositando as velas ao pé do mastro. Sob o ritmo do cururu e orientação do cururueiro, o cortejo retorna para o lugar onde encontra-se o altar onde os santos e insígnias são depositadas e os cururueiros realizam a dança do cururu, cuja duração depende da disposição dos cururueiros.
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Loureiro, R. Cultura Matogrossenses: festas de santos e outras tradições, Entrelinhas, 2006. Cuiabá, SECEL. Cadernos de Cultura: Cururu. Cuiabá, Central do texto, 2006
