No âmbito do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), as formas de expressão dizem respeito aos modos de comunicação e manifestação cultural desenvolvidos por grupos sociais específicos, reconhecidos coletivamente e regulados por normas, expectativas e sentidos compartilhados. Não se trata da linguagem em abstrato, mas da forma como ela é praticada por sujeitos e coletivos em contextos concretos, por meio de gestos, sons, ritmos, performances e oralidades.
As expressões orais correspondem aos modos de falar, narrar, cantar, rezar e contar histórias que circulam no cotidiano das comunidades e são transmitidos principalmente pela oralidade. Elas integram o patrimônio cultural imaterial por condensarem saberes, memórias, valores, afetos e formas de relação com o território. No caso da Baixada Cuiabana, o falar cuiabano constitui uma dessas expressões, articulando linguagem, imaginário e modos de vida construídos na interação histórica entre pessoas, rios, paisagens e práticas culturais.
Assim, as expressões fazem parte da natureza intangível da cultura, que também envolve conhecimentos, práticas e técnicas populares, além de rituais e festas, manifestações artísticas (linguagens, danças, ritmos), lugares onde são reproduzidas as práticas culturais (feiras, mercados, praças), modos de fazer e conhecimentos radicados no cotidiano das comunidades.
Reconhecida oficialmente como patrimônio imaterial de Mato Grosso, a cuiabania revela uma identidade marcada pela diversidade de influências indígenas, portuguesas e fronteiriças, expressa em vocabulário próprio, construções sintáticas singulares, sonoridades, causos, cantos, rezas e narrativas do cotidiano. Em Rosário Oeste e na Baixada Cuiabana, as expressões orais associadas à cuiabania se inserem nessa categoria ao se materializarem em cantos, rezas cantadas, ladainhas, cururus, causos, falas cotidianas e narrativas que acompanham as festas de santo e a vida comunitária.
Essas práticas são realizadas por atores sociais reconhecidos localmente, como cururueiros, rezadeiras, festeiros e moradores antigos, e seguem padrões próprios de execução, aprendidos e transmitidos pela oralidade. Ao inventariar essas formas de expressão, o projeto registra não apenas a fala ou o canto em si, mas os modos de fazer, os contextos de uso e os vínculos territoriais que sustentam essas práticas, contribuindo para a valorização da identidade cultural e das geografias do cuidado rosarienses.
Para saber mais: conheça o Livro das Formas de Expressão do IPHAN.