Reza cantada / Ladainha

No conjunto das celebrações que conformam o calendário religioso popular de Rosário Oeste, a reza cantada ocupa um lugar central na produção de ambiências devocionais, afetivas e comunitárias. Mais do que um momento litúrgico, trata-se de uma prática que articula memória, corpo e território, sendo conduzida por sujeitos reconhecidos localmente como capelãos e capelãs, detentores de um saber que não se aprende apenas, mas se incorpora ao longo da vida. A reza cantada consiste em uma forma ritual, uma performance, marca de festividade, movimento ao trabalho .A reza cantada é uma forma de expressão oral coletiva que faz parte do ritual de celebração das festas católicas populares em louvor a um(a) santo (a). Além de ser um ritual de fé e devoção, a reza cantada, traduzida em linguagem musical e poética por meio da ladainha, representa uma manifestação cultural que expressa sentimentos de religiosidade, pertencimento, identidade e memória coletiva.

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A reza cantada é uma longa ladainha coletiva de súplica e/ou de louvor a um (a) santo(a), entoado pelos (as) “tiradores (as) de rezas”, popularmente conhecidos como capelão (ã) e os devotos do santo(a) celebrado. A ladainha é uma prece litúrgica estruturada na forma de curtas invocações a Deus, marcada por uma série de invocações simples, breves e seguidas por uma resposta repetitiva dos fiéis como “ora pro nóbis”, “misere nóbis”, dentre outras. Geralmente recitada na sua primeira parte, a reza é carregada de ritmo, frases repetidas e refrão composto por palavras que mesclam o português arcaico e o latim adaptado ao linguajar local que envolvem invocações insistentes a Deus, Maria e o santo(a) celebrado.

 Atuando em dupla, os tiradores de reza, popularmente conhecidos como capelão (ã) entoam, em dueto, os trechos das orações, que são respondidos em coro, pelos demais participantes da celebração. Em algumas situações, são conduzidas por cadernos manuscritos, herdados ou copiados, mas em muitos casos permanecem guardadas na memória dos(as) rezadores(as), revelando a força da oralidade como meio de transmissão.

A celebração começa com um primeiro segmento de evocação à Maria, posteriormente com o ritual de louvação ao santo homenageado e ou santa e termina com o convite para os fieis se aproximarem do altar, e beijarem o santo.

A reza cantada, por meio de seus ritmos e entonações, conecta simbolicamente e espiritualmente o indivíduo a um universo mais amplo onde o sagrado e o cotidiano se entrelaçam, funcionando como vetor de transmissão de tradições, memórias e valores coletivos. Portanto, essa prática não é apenas um meio de expressar a religiosidade católica, mas também, uma forma de manter viva a memória dos ancestrais e garantir a continuidade dos saberes populares.

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