A celebração é realizada na manhã do dia 07 de outubro, data dedicada à Nossa Senhora do Rosário no calendário litúrgico. A procissão ressignifica simbolicamente o percurso fluvial pelo rio Cuiabá em direção ao Porto da Barra como narrativa da entrada da imagem da santa padroeira e, consequentemente, como marco da territorialidade religiosa local. Ao longo do trajeto, os devotos conduzem, em oração, o andor e as demais insígnias de Nossa Senhora do Rosário pelas ruas do centro histórico, enquanto os moradores e fieis manifestam sua devoção por meio de gestos de reverência, preces e homenagens à padroeira, reafirmando os vínculos entre fé, comunidade e território. A procissão culmina na Igreja Matriz, onde é celebrada a Missa Solene, encerrando o ciclo festivo dedicado à Nossa Senhora do Rosário.

























No dia 07 de outubro, data dedicada à Nossa Senhora do Rosário no calendário litúrgico, realiza-se a procissão fluvial pelo Rio Cuiabá em direção ao Porto da Barra. A partir desse ponto, desenvolve-se a procissão terrestre, que percorre a Rua da Barra e outras vias do centro urbano até a Igreja Matriz, onde ocorre a celebração da missa solene, principal ato litúrgico da festividade.
A celebração ressignifica simbolicamente o percurso fluvial em direção ao Porto da Barra como narrativa da entrada da imagem da santa padroeira e, consequentemente, como marco da territorialidade religiosa local. Segundo relato dos antigos moradores, foi por meio desse Porto que a imagem de N. Senhora do Rosário, encomendada no Rio de Janeiro por D. Maria Francisca Tourinho, ingressou em território rosariense, marcando simbolicamente o início da devoção local e a constituição do aglomerado humano em torno da sesmaria Monjolo.
O rio Cuiabá além de configurar como elemento estruturador da comunicação, circulação, do transporte, das atividades econômicas e da formação do povoado, constitui, também um elemento central na constituição da identidade e da geograficidade (Dardel, 2011)1 ribeirinha. Ao longo do seu curso, desenvolveram práticas espaciais que contribuíram para a constituição de um modo de Ser e Viver ribeirinho, marcado por relações cotidianas, sociais e culturais estreitamente vinculadas à dinâmica das águas, aos seus mitos e ao sagrado. Assim, o rio Cuiabá não se apresenta apenas como um elemento natural da paisagem, mas como território vivido, carregado de significados, memórias e práticas socioculturais que se reproduzem ao longo das gerações, reforçando a identidade ribeirinha e a relação simbólica entre água e a religiosidade popular.
É pelos caminhos das águas, por onde historicamente circulam moradores ribeirinhos, pescadores e bandeiras esmoleiras, que se inicia a homenagem à Nossa Senhora do Rosário, evidenciando a profunda relação simbólica entre o rio, a devoção religiosa e os modos de vida ribeirinhos.
Logo pela manhã, a comissão composta pelos integrantes do “Terço dos Homens” mobiliza-se para os preparativos da procissão: transportam o andor da Igreja Matriz até o local de partida da procissão, conferem os equipamentos de segurança exigidos para o evento e preparam o “tchá co’ bolo” que será partilhado entre os participantes da cerimônia antes do início da atividade religiosa.
Chegado o momento para dar início a procissão, o andor com a imagem de Nossa Senhora do Rosário, ornamentado com flores, é cuidadosamente embarcado no barco que conduzirá o cortejo fluvial. Na embarcação principal, o sacerdote e a sua equipe de liturgia conduzem a celebração, entoando orações, cânticos e louvores dedicados à padroeira, enquanto outras embarcações seguem ao redor ou atrás, acompanhando o percurso. A procissão segue lentamente rio abaixo transportando os fiéis com as bandeiras da santa, ao som de cânticos e dos fogos de artifícios, rumo ao porto da Barra, onde a população aguarda o cortejo.
Ao aportar, o andor de N.S.do Rosário é recebido com alegria pela população que aguarda às margens do rio. Em meio a saudações e manifestações de fé, o andor é conduzido até a recepção organizada no Rancho Aroeira, onde ocorre a partilha do “tchá co’ bolo” aos participantes, prática que reforça o acolhimento e sociabilidade entre os participantes.
Concluído esse momento e, após a mensagem proferida pelo sacerdote, o cortejo retoma seu percurso em direção à Rua da Barra, dando prosseguimento à celebração. Durante a procissão terrestre, o andor segue a frente do cortejo junto com os sacerdotes, enquanto os participantes caminham, entoando cânticos e/ou recitando preces de louvor à santa.
A rua da Barra, atual rua Cel. Botelho, é considerada uma das vias mais antigas da cidade. Inserida no tecido urbano histórico, constitui um espaço no qual o passado e o presente se entrelaçam, não apenas como uma narrativa histórica, mas também, como lugar carregado de memória, sociabilidades e experiências vividas por diferentes sujeitos que fazem parte da história urbana do município.
Ao integrar o itinerário programado da procissão, o cotidiano dos moradores é alterado em função da preparação do espaço para acolher a passagem do cortejo. Nesse processo, as mãos se unem para confeccionar bandeirolas e ornamentar a rua. As imagens de santos são retiradas dos oratórios domésticos e dispostas em altares provisórios montados em frente às casas, constituindo um gesto de devoção coletiva e de afirmação da religiosidade no espaço vivido.
Quando o cortejo processional passa, a rua é temporariamente ressignificada e sacralizada (Rosendahl, 20182), convertendo-se em uma extensão do espaço litúrgico. Os sacerdotes realizam paradas para abençoar os fiéis e proceder o ritual de incensação dos altares e imagens sacras dispostas pelos moradores em frente das casas pelos moradores.
Ao longo do trajeto, os devotos conduzem, em oração, o andor e as demais insígnias de Nossa Senhora do Rosário pelas ruas do centro histórico, enquanto os moradores e fieis manifestam sua devoção por meio de gestos de reverência, preces e homenagens à padroeira, reafirmando os vínculos entre fé, comunidade e território. A procissão culmina na Igreja Matriz, onde é celebrada a Missa Solene, encerrando o ciclo festivo dedicado à Nossa Senhora do Rosário.
