Os bairros de Rosário Oeste são espaços de convivência, memória e construção coletiva da identidade cultural. No Bairro Taboão, a vida comunitária, os vínculos de parentesco e as práticas religiosas fortaleceram redes de solidariedade que mantêm vivas as tradicionais festas de santo. Mais do que um espaço urbano, o bairro tornou-se um território simbólico de pertencimento, onde fé, cultura e cotidiano se entrelaçam na construção da chamada “Família Taboão”.
O bairro amplia a noção de comunalidade e confere outra escala para atuação das pessoas e de suas manifestações culturais. O se revela como o espaço-tempo da vida, onde os encontros nas lojas, bares, casa do vizinho permitem a “prosa diária” e reconhecimento enquanto comunidade, que vão revelando a importância do nível do lugar como plano do vivido (Carlos, 2007).
Em Rosário Oeste, os bairros ganham força na organização das celebrações religiosas, com as comunidades assumindo as responsabilidades por determinadas festas e o percorrer o bairro, como na Alvorada, constitui a potência da experiência do comum.
Dentre eles, destaca-se o Bairro Taboão, cuja Família Taboão tem papel significativo na organização das comunidades e das celebrações religiosas.
O bairro do Taboão, constitui a um dos núcleos de ocupação mais antigos situados fora do perímetro central onde se estruturou o sítio urbano inicial. Sua formação está associada ao processo de expansão do tecido urbano para além do núcleo original do povoado, resultado do processo migratório de populações provenientes do meio rural, notadamente do distrito de Araras, como a Fazenda Casange, e outras localidades.
D. Gonçalina, filha de D. Margarida, relatou que grande parte das pessoas que se estabeleceram no Bairro Taboão era formada por parentes e amigos, evidenciando que o processo de ocupação ocorreu com base em redes de parentesco e sociabilidade.
Discutir o conceito de lugar a partir da análise desse bairro exige entendê-lo como um espaço vivido e apropriado no cotidiano, não apenas como um recorte físico. O bairro se configura como lugar na medida em que articula práticas e relações que partem da casa e se expandem para a rua, a praça e outros espaços de convivência. É nesse movimento da vida cotidiana que se produzem vínculos, identidades e formas de pertencimento.
Com o passar dos anos, o bairro passou por transformações urbanísticas decorrentes da atuação do poder público. Essas intervenções ampliaram a acessibilidade e mobilidade das pessoas, integrando-o progressivamente a área à malha urbana de Rosário Oeste.
Tais transformações evidenciam que a continuidade da festa não se deu apenas no plano simbólico, mas também na consolidação física de uma infraestrutura própria, revelando o processo de institucionalização da prática devocional e sua crescente centralidade na vida comunitária.
Desse modo, analisar o bairro é evidenciar a tríade cidadão, identidade e lugar, considerando que o espaço só se torna lugar quando é vivido e significado pelos sujeitos, sendo o corpo o mediador central dessa experiência.
A ampliação das responsabilidades e da participação refletiu-se também em um (re)ordenamento do espaço festivo do qual as antigas imagens foram substituídas por outras de maior porte, foram construídos e equipados barracões e cozinhas, e a capela passou a ser edificada em alvenaria, por meio de mutirão. Tais transformações evidenciam que a continuidade da festa não se deu apenas no plano simbólico, mas também na consolidação física de uma infraestrutura própria, revelando o processo de institucionalização da prática devocional e sua crescente centralidade na vida comunitária.
A ampliação de escala da festa implicou um processo de comunitarização da festa, expresso tanto nas interações sociais inicialmente estabelecidas entre a família promesseira e os moradores do bairro quanto na participação de irmandades e devotos, que passam a assumir tarefas no processo de realização da celebração. Nesse contexto, o significado de família amplia-se para além dos laços consanguíneos, passando a adquirir o sentido de um parentesco simbólico, como os colaboradores da festa se autodenominam: Família Taboão. Nessa configuração social a fé e devoção aos santos festejados articula-se à construção de vínculos de pertencimento e de identidade territorial, expressando formas coletivas de organização e reconhecimento comunitário.
A territorialidade que se configura no bairro, marcada pela proximidade espacial e pela convivência cotidiana, possibilitou a formação e a reprodução de redes de solidariedade, cooperação, vizinhança e laços de parentesco, permitindo que práticas culturais e festivas continuassem a (re)existir no espaço urbano.
Nesse sentido, o bairro formado na cidade por populações oriundas do êxodo rural não se configura apenas como um aglomerado de pessoas ou uma unidade administrativa, mas constitui também um território existencial e simbólico, marcado por relações de devoção, identidade cultural e pertencimento, onde a tradição se (re)inventa na sociedade urbana sem perder sua essência.
A territorialidade que se configura no bairro, marcada pela proximidade espacial e pela convivência cotidiana, possibilitou a formação e a reprodução de redes de solidariedade, cooperação, vizinhança e laços de parentesco, permitindo que práticas culturais e festivas continuassem a (re)existir no espaço urbano.
