O cururu constitui uma forma de expressão popular de relevância nas festas religiosas, caracterizada pela cadência das cantigas de louvor ao santo entoadas pelos cururueiros. Essa forma de expressão articula elementos performáticos que incluem a cantoria em forma de improvisação em desafio (também chamados de porfias), ou como uma celebração marcada por trovas de louvação ao santo e/ou santa, movimento corporal (dança de roda) e toques da viola de cocho e do ganzá, compondo um ritual que sintetiza aspectos identitários e simbólicos das comunidades tradicionais.

























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O cururu ou Função é um folguedo popular autêntico e dos mais antigos da Baixada Cuiabana. Ele se faz presente em muitas festas devocionais ou profanas, podendo se apresentar como roda de cantoria e dança. O Cururu consiste em, no mínimo, dois cantadores sempre do sexo masculino: um tocando a viola-de-cocho e outro o ganzá. Mesmo quando o grupo é grande, a cantoria é sempre realizada em duplas, acompanhados pelo toque dos instrumentos dos demais cururueiros.
Cada dupla de cururueiros “puxa” a toada no seu próprio compasso e entre uma e outra, faz-se o “baixão”, que é uma nota prolongada com que finaliza a cantoria. Os que não tocam instrumento seguem dançando. (SECEL, 2006). São comuns nas rodas de cururu os desafios, também chamados de porfias, ocasião em que um cururueiro desafia, com versos, o outro que, como o primeiro, responde com outro desafio. A oralidade, o improviso dos repentistas das trovas e cantorias e a ritualização da festa também constituem características marcantes nesse grupo social.
A viola de cocho desempenha papel central na sustentação harmônica do canto do cururu, além de marcar o ritmo das rodas de cururu, das danças de siriri e de São Gonçalo, bem como das manifestações do Boi-à-Serra. Outro instrumento de percussão fundamental na sonoridade do cururu é o ganzá, feito de taquara (taboca) e talhado em todo o seu comprimento. As ranhuras realizadas na taquara evitam que o som se torne abafado. Para produzir o som que dará ritmo ao cururu e siriri, é preciso friccionar de baixo para cima e de cima para baixo com um pequeno pedaço de pau, osso ou pedra. (IPHAN,2009)
O cururu não constitui apenas um canto ritualístico, mas uma prática cultural genuína que articula fé, memória e identidade. Ele representa a voz da comunidade, traduzindo sua religiosidade, sua visão de mundo, seus valores, crenças e modo de vida local em versos cantados pelos cururueiros, produzindo uma fazer cultural de seu lugar e de sua gente. A presença dos cururueiros nas festas de santos, notadamente as devocionais, reverbera o cururu como uma prática cultural autêntica e enraizada na comunidade, transmitida oralmente e vivida coletivamente, sem perder sua essência.
Os cururueiros desempenham papel central celebração, no ritual de abertura da festividade, conduzindo e dando direcionamento à celebração desde o seu início, com a louvação ao(à) santo(a) ou aos(às) santos(as) do altar e a subida do mastro do santo ao qual a festa é dedicada, até o seu encerramento, com a retirada do mastro.
