Festas populares religiosas
No Livro de Celebrações do IPHAN, as festas populares entram como parte dos rituais que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social.
Nesse sentido, é preciso compreender que a cultura é espacializada e que o espaço geográfico não somente funciona como lugar de possibilidade do acontecer cultural, mas também se constitui como parte significativa dessas manifestações. Aqui, podemos citar, por exemplo, as manifestações religiosas. As igrejas, os templos, os locais de peregrinação, as festas de devoção, entre outros, são espaços sagrados necessários às manifestações de fé e devoção, sendo, ao mesmo tempo, condição material e imaterial para a realização de tal prática cultural.
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Uma das manifestações culturais mais presentes no espaço são as festas populares, que podem ter diferentes motivações, como religião, tradições, mitos, crenças, música, artesanato e alimentação. As festas populares estão relacionadas com a ideia de coletividade e têm uma importante carga simbólica para os envolvidos, porque visto que perpetuam práticas históricas, com importante significado para as comunidades.
Ao mesmo tempo que englobam a cultura material, têm uma relevante dimensão imaterial.Maia (1999) aponta que as festas populares são rituais e que elas possibilitam a aproximação das pessoas. Afirma que as festas podem ser marcadas pelos excessos, pela transgressão, por atitudes subversivas, ao mesmo tempo que promovem a reafirmação dos laços sociais, de identidade, de coletividade, a organização e a participação das pessoas.
Há a proximidade entre estranhos, em decorrência da excepcionalidade expositiva e receptiva e do aguçamento afetivo gerado pelas festas por esses eventos, além do interesse em comum pelo evento e pela comemoração. O autor relaciona a festa não só ao espaço, mas também ao tempo.
“A temporalidade das festas populares é marcada, usualmente, por uma compreensão do movimento histórico em que se releva o caráter de tradição; ou seja, há toda uma preocupação por parte dos participantes em preservar um legado de crenças, hábitos, elementos alegóricos etc., tidos como fundamentais na significação/caracterização/composição da festa como acontecimento”. (Maia, 1999, p. 200)De acordo com Maia (1999), a questão do tempo se configura não só pela ideia de herança e carga histórica, mas pelo fato de também como um “momento esperado” pelos envolvidos. Isso porque, além da participação no ato em si, a vida cotidiana de muitos envolvidos é marcada pelo intervalo entre as festas, como no caso das festas em Rosário Oeste, que durante o ano movimentam os bairros para a sua organização e a arrecadação de dinheiro.
Por serem eventos transitórios e efêmeros, durando dias, horas, dias ou semanas, as festas também definem novas funções para as formas espaciais, que são reconfiguradas em virtude dos acontecimentos. Nesse sentido, além dessas transformações temporárias, a relação com o espaço é definida pelo significado que este tece com as festas populares, como acontece com os espaços religiosos (igrejas, terreiros, rotas de peregrinação), os locais de exposições (como as cozinhas e quintais) e as casas ou associações culturais (como na casa dos festeiros).Assim, as festas populares têm uma íntima relação com os espaços em que se inserem, pois, para além da dimensão simbólica, esses espaços mudam sua dinâmica no momento do acontecimento da festa. Em Rosário Oeste, o envolvimento de toda a comunidade nas festas de santo, em vários momentos da festa e nos dias que a antecedem, possibilitam ver a relação intrínseca entre materialidade e imaterialidade, constituindo uma importante representação do patrimônio cultural de nosso Estado. MAIA, C. E. Ensaio interpretativo da dimensão espacial das festas populares: proposições sobre festas brasileiras. In: CORRÊA, R. L.; ROSENDAHL, Z. (Org.). Manifestações da cultura no espaço. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1999. p. 191-218
FESTA DE N. S. APARECIDA – FAMÍLIA DA D. JULIETA B. ALMEIDA
FESTA DE SÃO BENEDITO – FAMÍLIA DO SR. DAMIÃO DE ALMEIDA
FESTA DE N. S. PIEDADE E DE SANTO ANTÔNIO – BAIRRO TABOÃO
FESTA DE S. BENEDITO – FAMÍLIA DO SR. JOÃO CRISTIANO DA SILVA
