Constitui um momento marcado pela saída da bandeira esmoleira pelas ruas da cidade e das comunidades rurais, recolhendo donativos para a realização da festa ou visitando outros locais onde ocorrem em honra a santos. Em algumas comunidades, contudo, a circulação da bandeira esmoleira permanece restrita ao território comunitário, percorrendo as residências como uma manifestação simbólica de proteção e bênção às pessoas, que a recebem com reverência, beijam-na e a conduz para o interior da casa, em gesto de devoção e súplica por bênçãos, proteção e graças do(a) santo(a) homenageado (a).
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Antes da realização da festa, era comum a bandeira do santo, conduzida pelo festeiro e acompanhada por uma banda de música, percorrerem as comunidades rurais e áreas urbanas em busca de donativos destinados à organização da celebração. O ritual dos condutores da bandeira, consiste em solicitar autorização da família para receber a visita da bandeira. Quando a resposta é positiva, a bandeira adentra a residência e os moradores, em gestos de devoção, beija-a e a conduzem pelos diferentes cômodos da casa, pedindo bênçãos, proteção e graças para os membros da família.
Nas últimas décadas, contudo, essa prática passou a concentrar-se principalmente nas festividades promovidas pela Igreja Matriz, como as celebrações de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade, e de S. Benedito, bem como nos preparativos da festa do Divino Pai Eterno, realizada pela comunidade rural do Pai Eterno.
A visita da bandeira, acompanhada ou não de banda musical, é uma prática recorrente nas celebrações populares de santos. Ao chegar nas residências e espaços festivos, ela é recebida com gestos de devoção, respeito e reverência, evidenciando seu papel simbólico, assim como, elemento de articulação entre a dimensão religiosa e comunitária da festa. Faz parte da tradição que o devoto, ao receber a visita do(a) santo(a) colocar o estandarte sobre a cabeça, faça uma oração silenciosa, agradecendo as graças recebidas e a renovação de seus pedidos.
Em determinadas circunstâncias, como constatou-se na visita da bandeira do Divino Pai Eterno, a repetição desse gesto, estendendo a proteção simbólica do estandarte às demais membros da família, representa a confirmação do compromisso de contribuir com o donativo anunciado para a realização da festa. Nessa dinâmica, cada vez que o estandarte é colocado sobre a cabeça dos membros da família e, ou da pessoa, acrescenta-se um novo item à oferta anunciada.
Em outras situações, após o gesto de percorrer a bandeira pelos diferentes lugares da casa, beijá-la e ou colocá-la sobre a cabeça em sinal de devoção, o devoto amarra uma quantia às fitas do estandarte como gesto de fé e de contribuição para a realização da celebração.
Em outras comunidades, como no Bairro Taboão e na comunidade do Barreiro Vermelho, esta prática tem sido ressignificada como estratégia de (re)existência cultural e religiosa, do qual o percurso da bandeira restringe-se aos limites administrativos e físicos da comunidade, preservando os significados simbólicos do ritual e reafirmando os laços identitários e comunitários associados à celebração.
Muito mais do que estratégia de arrecadação de donativos para a festa, o percurso da bandeira constitui um importante rito de mobilização comunitária, à medida que os devotos-doadores se tornam simbolicamente comprometidos e incorporados à realização da festa.
