As cozinhas ocupam um lugar fundamental nas festas de santo de Rosário Oeste e, de alguma forma, também são espaços sagrados, porque não se resumem ao preparo dos alimentos, mas são lugares de trabalho coletivo, transmissão de saberes, encontro e partilha, onde a preparação da festa começa muito antes dos momentos de oração. Nas cozinhas, familiares, vizinhos e devotos se reúnem para preparar as comidas e bebidas que serão oferecidas durante a celebração. O trabalho envolve diferentes gerações e permite que conhecimentos sobre ingredientes, receitas, modos de preparo e formas de organização sejam transmitidos pela prática e pela convivência. Em algumas comunidades, permanecem formas tradicionais de cozinhar, como o uso de fogões a lenha, tacurus, fornalhas e pilões. A produção de broas, biscoitos, licores, carnes e outros alimentos das festas de santo reforça a permanência de saberes culinários associados à memória das famílias e das comunidades. A cozinha também expressa valores importantes das festas, como a generosidade e a reciprocidade. Preparar grandes quantidades de comida e oferecê-las gratuitamente aos participantes constitui uma forma de acolher, agradecer e fortalecer os vínculos entre aqueles que participam da celebração. As cozinhas podem ser compreendidas como espaços de preservação e fortalecimentos dos vínculos em torno de práticas culturais, em que a memória é valorizada, os saberes são compartilhados e a comida se transforma em uma forma de celebrar, cuidar e fortalecer a comunidade.