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Ritual de Levantamento do Mastro nas festas de santo – foto 1
Ritos e celebrações

Ritual de Levantamento do Mastro nas festas de santo

O levantamento do mastro marca o início da festividade e constitui um dos principais ritos das festas populares religiosas. A presença do mastro, com a coroa e o quadro do(a) santo(a), representa um marco simbólico e identitário da celebração, demarcando, temporariamente, o espaço da devoção. O levante do mastro possibilita que identidades coletivas reafirmem, o fortalecimento de laços comunitários e a continuidade das tradições religiosas transmitidas por gerações. Nesse ritual, os cururueiros desempenham papel central na celebração, que marca a abertura da festividade, conduzindo e dando direcionamento à celebração desde o seu início, com a louvação ao(à) santo(a) ou aos(às) santos(as) do altar e a subida do mastro do santo ao qual a festa é dedicada, até o seu encerramento, com a descida do mastro.

Reza cantada / Ladainha – foto 1
Formas de expressão

Reza cantada / Ladainha

No conjunto das celebrações que conformam o calendário religioso popular de Rosário Oeste, a reza cantada ocupa um lugar central na produção de ambiências devocionais, afetivas e comunitárias. Mais do que um momento litúrgico, trata-se de uma prática que articula memória, corpo e território, sendo conduzida por sujeitos reconhecidos localmente como capelãos e capelãs, detentores de um saber que não se aprende apenas, mas se incorpora ao longo da vida. A reza cantada consiste em uma forma ritual, uma performance, marca de festividade, movimento ao trabalho .A reza cantada é uma forma de expressão oral coletiva que faz parte do ritual de celebração das festas católicas populares em louvor a um(a) santo (a). Além de ser um ritual de fé e devoção, a reza cantada, traduzida em linguagem musical e poética por meio da ladainha, representa uma manifestação cultural que expressa sentimentos de religiosidade, pertencimento, identidade e memória coletiva.

Cururu – foto 1
Formas de expressão

Cururu

O cururu constitui uma forma de expressão popular de relevância nas festas religiosas, caracterizada pela cadência das cantigas de louvor ao santo entoadas pelos cururueiros. Essa forma de expressão articula elementos performáticos que incluem a cantoria em forma de improvisação em desafio (também chamados de porfias), ou como uma celebração marcada por trovas de louvação ao santo e/ou santa, movimento corporal (dança de roda) e toques da viola de cocho e do ganzá, compondo um ritual que sintetiza aspectos identitários e simbólicos das comunidades tradicionais.

Festa de Santa Rita dos Impossíveis - Família de D. Maria Helena da Silva (Ribeirão Grande) – foto 1
Festas Populares Religiosas

Festa de Santa Rita dos Impossíveis – Família de D. Maria Helena da Silva (Ribeirão Grande)

Realizada anualmente pela família de D. Maria Helena da Silva, na comunidade rural de Ribeirão Grande, a Festa de Santa Rita de Cássia constitui uma celebração de caráter familiar vinculada ao cumprimento de uma promessa transmitida entre gerações. Durante sua realização, a residência da festeira reorganiza-se temporariamente para acolher a celebração, transformando casa e quintal em espaços de devoção, partilha e sociabilidade. Mantida pela participação da família, de vizinhos e colaboradores, a festa preserva saberes, práticas e formas de cooperação que asseguram a continuidade dessa tradição no contexto do patrimônio cultural imaterial de Rosário Oeste.

Festa do Divino Espírito Santo - Família Xavier de Matos (Comunidade Barreiro Vermelho) – foto 1
Festas Populares Religiosas

Festa do Divino Espírito Santo – Família Xavier de Matos (Comunidade Barreiro Vermelho)

Realizada tradicionalmente pelos descendentes do Sr. Manoel Xavier de Matos e de D. Maria Joana de Matos, a festa teve origem em 1952, no espaço doméstico da comunidade Barreiro Vermelho. Entre os rituais tradicionais estão o levantamento do mastro, a ladainha, o cururu, o siriri e a dança de São Gonçalo. Ao longo do tempo, algumas práticas foram transformadas, enquanto outras, como a vaquejada, deixaram de ser realizadas. Os preparativos envolvem a produção de alimentos, biscoitos e licor artesanal, mobilizando familiares e devotos em torno da festa. A cozinha coletiva preserva modos tradicionais de preparo, como o uso dos tacurus a lenha e a produção de pratos típicos das festas de santo. A bandeira do Divino também percorre as residências da comunidade, levando bênção e proteção às famílias. Em 2010, a construção da Capela do Divino Espírito Santo e do barracão comunitário marcou uma nova etapa da celebração. Atualmente, a festa é organizada pelas novas gerações da família, mantendo viva a memória e os saberes de seus antepassados.

Festa do Divino Espírito Santo - Família D. Emília de Arruda (Bairro Santa Isabel) – foto 1
Festas Populares Religiosas

Festa do Divino Espírito Santo – Família D. Emília de Arruda (Bairro Santa Isabel)

Realizada há mais de 70 anos, a festa teve início em 1952, no Sítio Laranjal, por iniciativa do Sr. Dionísio Bispo de Arruda e de D. Maria do Carmo de Arruda. Após passar por diferentes espaços rurais, foi transferida para a cidade em 1999, por iniciativa de D. Emília de Arruda de Almeida. Atualmente, acontece no espaço do Mangueiral, construído para manter elementos das antigas festas rurais. O local reúne altar, barracões, cozinha, fogões a lenha e fornalha, preservando saberes culinários e formas coletivas de trabalho. A celebração ocorre cinquenta dias após a Páscoa e tem início com a novena de Pentecostes.Entre seus principais momentos estão o levantamento e a descida do mastro, a ladainha, a partilha de alimentos, o leilão, o bingo e o baile. O mastro reúne símbolos do Divino Espírito Santo, como a pomba branca e a cor vermelha. Algumas práticas foram transformadas ao longo do tempo, como o baile, que passou a contar com músicos contratados e som eletrônico. Desde 2019, os filhos de D. Emília assumem a organização da festa, mantendo a tradição familiar.

Festa de São Bento e Nossa Senhora Aparecida - Família do Sr. Tolentino Garcia da Silva (Ribeirão Grande) – foto 1
Festas Populares Religiosas

Festa de São Bento e Nossa Senhora Aparecida – Família do Sr. Tolentino Garcia da Silva (Ribeirão Grande)

Realizada anualmente em agosto, na comunidade rural de Ribeirão Grande, a Festa de São Bento e Nossa Senhora Aparecida tem origem em um pacto votivo assumido pelo Sr. Rozeno Lima da Silva. Após seu falecimento, a tradição foi continuada por seu filho, Sr. Tolentino da Silva, e sua esposa, Marlene P. da Silva. Atualmente, a organização é compartilhada entre seus descendentes, mas a celebração permanece conhecida como “Festa do Sr. Tolentino de Ribeirão Grande”. A festa reúne duas devoções que se complementam. Nossa Senhora Aparecida é reconhecida como protetora da família e do lar, enquanto São Bento é associado à proteção da vida cotidiana, do trabalho no campo e contra animais peçonhentos. Essa dupla devoção está presente nos mastros e na sequência da ladainha, dedicada inicialmente a Nossa Senhora Aparecida e, depois, a São Bento. A casa e o quintal constituem o centro da celebração. Enquanto a sala se transforma temporariamente em espaço de oração e memória, a varanda, a cozinha e o quintal acolhem os preparativos, o trabalho coletivo e a convivência entre familiares, vizinhos e visitantes. O leilão de prendas e a venda de bebidas também contribuem para o custeio da festa. Durante a ladainha, a memória do Sr. Tolentino se faz presente junto aos santos, reafirmando os vínculos afetivos e familiares que sustentam a continuidade da promessa.

Festa de São José - Família de D. Maria Isolina e Sr. Américo Batista da Silva (Comunidade Cachoeirinha) – foto 1
Festas Populares Religiosas

Festa de São José – Família de D. Maria Isolina e Sr. Américo Batista da Silva (Comunidade Cachoeirinha)

A Festa de São José é uma tradição de devoção familiar iniciada na comunidade rural Nicolau e preservada pelos descendentes de D. Maria Isolina e do Sr. Américo Batista da Silva. Após permanecer interrompida por cerca de trinta anos, a celebração foi retomada em 2003, a partir de um compromisso renovado pela família.Atualmente, a festa possui uma característica singular: seu espaço de realização é itinerante. Como os familiares vivem em diferentes localidades, a celebração acontece, a cada ano, na comunidade onde reside a família responsável por sua organização. Em 2025, foi realizada na Comunidade Cachoeirinha e, em 2026, a responsabilidade passou para uma nova geração da família.Realizada ao longo de dois dias, a programação reúne missa, reza cantada, partilha gratuita de alimentos, leilão, baile e matinê. Os preparativos são realizados em mutirão, envolvendo familiares e amigos no preparo das comidas, na organização do espaço e na realização da festa.O encerramento é marcado pela entrega da imagem de São José aos festeiros do ano seguinte, gesto que simboliza a transmissão do compromisso de manter a devoção e organizar a próxima celebração.

Festa de São Benedito - Família Oliveira (Rua da Barra) – foto 1
Festas Populares Religiosas

Festa de São Benedito – Família Oliveira (Rua da Barra)

A Festa de São Benedito da Rua da Barra, realizada tradicionalmente no Sábado de Aleluia, tem mais de um século de história e teve origem em uma promessa feita por D. Maria Joaquina de Oliveira e Sr. Manoel Cipriano de Oliveira, na antiga sesmaria do Sales, zona rural de Rosário Oeste. Ao longo das gerações, a celebração acompanhou o deslocamento da família, passando pelo Pai Caetano até chegar à cidade. Atualmente, a festa é organizada coletivamente pelos descendentes da família Oliveira, reunindo também vizinhos, amigos, compadres e devotos. Entre seus principais momentos estão o levantamento do mastro, a procissão, o cururu, a ladainha, o tradicional Tchá co’ bolo, a partilha de comidas, o baile e os trabalhos realizados na cozinha comunitária. A preparação dos alimentos mobiliza diferentes gerações e constitui importante espaço de transmissão de saberes e cooperação. A festa também transforma temporariamente a Rua da Barra e seus espaços comunitários, que assumem diferentes funções ao longo da celebração, entre devoção, trabalho, acolhimento, convivência e lazer.

Festa de Nossa Senhora do Rosário - Padroeira da Cidade (Igreja Matriz) – foto 1
Festas Populares Religiosas

Festa de Nossa Senhora do Rosário – Padroeira da Cidade (Igreja Matriz)

A Festa de Nossa Senhora do Rosário, padroeira de Rosário Oeste, é celebrada anualmente no mês de outubro, tendo o dia 7 como data principal. A devoção à santa está profundamente ligada à história do município, remontando à antiga capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário, construída em 1751, e à formação do próprio núcleo urbano. Atualmente, a celebração reúne práticas religiosas e momentos de convivência comunitária. O ciclo festivo inclui novenas, esmolação da bandeira, missas, procissões, levantamento do mastro, reza cantada, leilões, bingo, apresentações culturais e partilha de comidas típicas. Entre os momentos centrais está o levantamento do mastro, acompanhado pelo cururu. O cortejo reúne sacerdote, rei, rainha, alferes, capitão de mastro e devotos, que conduzem a imagem e a bandeira de Nossa Senhora do Rosário até o local do ritual. A esmolação da bandeira também ocupa lugar importante na celebração. Ao percorrer bairros e comunidades, a bandeira leva simbolicamente a presença da padroeira às casas, onde os devotos recebem a bênção e pedem proteção para suas famílias.

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